
O jornal O Estado de São Paulo veiculou no dia 10 de março o caderno especial "Pessoas de ValoRH" editado pela ABRH-Nacional - Associação Brasileira de Recursos Humanos que traz como destaque um artigo assinado por Celina Joppert.
O texto intitulado "A arte como agente transformador nas organizações" defende a aproximação do universo corporativo com o mundo artístico, argumentando que os profissionais das grandes organizações também podem incorporar características que estão associadas principalmente ao artista e, dessa maneira, ampliar as suas habilidades profissionais.
Leia o texto na íntegra a seguir.
A arte como agente transformador nas organizações
No mundo corporativo de hoje, não basta fazer o necessário, é preciso ser o extraordinário.
No que diz respeito ao comportamento humano, o artista reúne uma série de habilidades e recursos que são essenciais para o profissional de hoje. Criatividade, sensibilidade, improviso, empatia. O artista busca o seu melhor, faz as coisas de maneira diferente, extraordinária, lida com o novo. O pensamento não linear, a percepção do todo e a intuição fazem parte do seu dia a dia.
Numa era que é revelada a importância de habilidades que são geradas pela atividade mental do hemisfério direito do cérebro como as do artista, as pessoas em geral, que foram treinadas a valorizar e desenvolver as competências do hemisfério esquerdo, se deparam com um desafio para o qual não foram preparadas pela sua família ou pelas escolas.
As empresas de hoje cobram que seus colaboradores sejam criativos, que tenham a capacidade de inovar, “sair da caixa”, de trabalhar bem em time, de usar a sensibilidade, a emoção, a inteligência coletiva e interpessoal. Com toda certeza, são habilidades fundamentais para um profissional que faz a diferença na trajetória de uma empresa de sucesso.
Nem sempre pode–se afirmar que as expectativas das organizações em contar com profissionais deste calibre em seus quadros serão atendidas. Ao longo de nossas vidas fomos “formatados” para não aparecer, não ousar, não ser diferente, desaprendemos a nos expandir, a exercer nossa liberdade criativa, a sermos autênticos sem julgamentos.
É possível que tenhamos deixado para trás nosso poder criativo, quando na nossa infância podíamos transformar um simples cabo de vassoura em um cavalo forte e veloz, ou um pneu velho num disco voador. Quando éramos crianças um dos nossos maiores tesouros era a nossa imaginação.
Fomos crescendo e esquecendo que dentro de cada um de nós existe um artista, simplesmente porque todos nós podemos nos conectar com nossa criatividade libertadora, nossos talentos, nossa paixão, e ser parte ativa de um propósito maior, deixando vir à tona nossa alegria, brilho nos olhos e emoção.
A troca rica de experiências e aprendizado com a aproximação do universo corporativo com o artístico é um caminho cada vez mais reconhecido para capacitação do ser humano. A arte pode nos ajudar gerando novos contextos de aprendizagem, abrindo um canal que quebra nossas resistências, resgatando nossas características e habilidades genuínas que hoje são tão valorizadas.
Um grande desafio se impõe hoje ao trabalhador, seja qual for a sua área: se tornar um profissional pleno, integral que é capaz usar todos seus recursos e possibilidades. Estimular os dois hemisférios do cérebro é hoje uma necessidade para quem quer alçar vôos maiores de realizações, sucesso, significado e contribuir para um propósito maior.
Será que um pássaro consegue voar com uma só asa?